Perguntas que o paciente deve fazer
Muitas vezes, saindo de uma consulta, o paciente percebe que seu mundo caiu e que seu futuro nunca mais será o mesmo.
Como assim?
“Eu tenho um tumor? Como ele está aí e eu nunca percebi?
Eu tenho uma doença incurável? Nos dias de hoje, onde tem remédio para tudo?
Não pode ser. Não é verdade. Isso não está acontecendo comigo”.
A cabeça dispara e pensa: “o médico deve ter errado. Minha dor não é para tanto. Esse sangramento é bobagem, foi só aquele dia.
Eu não posso continuar com meus planos?
E aquela viagem que eu ia fazer no reveillón do ano que vem com meus amigos?
E a minha mudança para a Europa, que eu planejei fazer daqui a dez anos, que é quando eu me aposento?
E o casamento do meu filho, a formatura da minha neta. Não vou poder ir?”
As dúvidas viram um turbilhão na cabeça, que se recusa a aceitar que, a partir deste encontro com o médico, a sua história de vida mudou e seus planos precisam ser refeitos.
A possibilidade de se encontrar com a morte é um plano que não faz parte da nossa vida, não é ensinada nos bancos escolares e nem é falada abertamente. Mas, infelizmente, é um assunto relativamente recorrente nos consultórios médicos de determinadas especialidades.
Por não ser um assunto abertamente discutido, uma doença terminal sempre atinge outras pessoas. Nunca esperamos que ela bata na nossa porta e, menos ainda, que esteja no nosso corpo.
É preciso ter calma. Acalmar o coração, acalmar a respiração, acalmar a cabeça para poder raciocinar e avaliar o que precisa ser feito.
Quando estiver diante de um diagnóstico, o paciente precisa perguntar:
a) qual é a eficácia desse tratamento?
b) qual é a chance de cura?
c) se fizer esse tratamento eu vou sobreviver?
d) qual vai ser a minha expectativa de vida pós tratamento?
e) com qual qualidade de vida?
Só então será possível ter um pouco de clareza para tomar as providências necessárias e decidir o que fazer.




